A importância do Prêmio para o movimento preto e periférico
O evento faz menção a um homem que, mesmo com tantas adversidades, conseguiu transformar sua arte em uma ferramenta de transformação e conscientização, sendo lembrado e celebrado como um dos maiores representantes do Rap brasileiro e da luta pela valorização da cultura preta. Marcelo Cavanha, coordenador do Núcleo Hip-Hop da Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa de São Paulo (SMCSP), fala sobre o sucesso do evento.
Essa é uma iniciativa da Câmara dos Vereadores e que surge também de um diálogo com o movimento Hip-Hop de manter vivo as ideias, o legado do Sabotage. E na edição anterior, a Câmara procurou a Secretaria de Cultura, pensando numa parceria de fazer esse prêmio no local que não fosse dentro da Câmara. É muito importante o Hip-Hop ocupar todos os espaços, entre eles a Câmara Municipal, mas pensando numa celebração, seria legal que fosse num espaço onde tivesse mais a ver também com a questão de acomodações para cultura, voltado para cultura. E o CCSP é um espaço incrível, não é? A sala Adoniran Barbosa, em especial, a gente ficaria aqui até amanhã falando o número absurdo de grandes artistas que já passaram por esse espaço. Aqui é de fácil localização, e o público que sai do trabalho e vem curtir a cultura no Centro Cultural São Paulo numa plena terça-feira e de forma gratuita – relatou.
Também houve espaço para os grupos que não faziam parte do concurso, como por exemplo, o Coletivo Future K, de danças urbanas. Os integrantes do Coletivo apresentaram uma coreografia com passos de Breaking, sendo ovacionados devido ao alto grau de dificuldade na execução.
O nosso intuito é fortalecer a cultura do Hip-Hop, e como o Sabotage é uma grande referência para nós, mesmo que não na dança, mas na música, tem tudo a ver com a nossa arte, que é o Breaking e as demais linguagens em que estamos envolvidos. Após me formar, sonho atuar na Educação, mas nunca deixarei de dançar. Nós costumamos dizer que o Breaking é o nosso life style, isso faz parte da nossa vida, todos os dias a gente dança, todos os dias a gente pratica, como também estamos envolvidos nas outras artes do hip-Hop, como a grafitagem, o contato com os Mcs, com as batalhas de rima…Então, quando eu me formar, sei que nunca vou parar de dançar, porque é isso o que eu sou – avaliou Maria Eduarda Pimentel, 22 anos, e estudante Letras, da Universidade Mackenzie.
Sabotage, além de ser um artista de referência, se mostrou um exemplo de coragem e de compromisso com sua comunidade, e seu legado permanece presente na música e na cultura. Para Guilherme Tavares, de 25 anos, técnico e produtor de audiovisual, professor de Danças Urbanas, o Breaking é uma motivação na vida de jovens e crianças.
Eu aprendi a dança Breaking numa ONG, e hoje, eu ministro aulas neste mesmo lugar, que é na Cedeca (Centro de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente) Sapopemba, onde eu atendo jovens, adolescentes e crianças. O Breaking atua de várias formas, de forma social, principalmente, então a dança não vem só para formar educadores, mas para transformar e mudar a vida das pessoas. Através da prática da dança, nós percebemos mudanças de tratamento dos jovens com suas famílias, assim como uma curiosidade para descobrir mais sobre essa cultura e adquirir mais conhecimento. Eu vejo o Breaking como uma motivação para a vida – afirmou.
Já Richard Waldir, de 26 anos, empresário de Marketing Digital, o Breaking o possibilitou criar e adaptar passos novos, o que de acordo com ele já é bastante difícil, pois muitos deles já foram feitos através das décadas em todos os cantos do mundo.
A dança do Breaking, assim como outros ritmos, nos abre portas para a criatividade. É muito difícil criar algo, pois quase tudo já foi feito por alguém em algum lugar, mas eu poderia dizer que sim, um passo ou outro tem a minha assinatura, mas ainda não dei nomes a eles. Mas um deles eu chamaria de “Martelinho”, que é quando eu faço um CC, ando para trás e dou uma pancada no chão, como se fosse um martelo – disse.